Chegou a hora…

Durante muito tempo (precisamente 6 anos) enrolei para decidir iniciar o processo de cidadania americana.  Para mim, o título de “cidadã americana” não mudaria muito o meu dia-a-dia, por isso não tinha muita importância. Entretanto, o meu lado cidadã da vida sempre quis ser mais do que simplesmente  “residente legal”; eu sempre quis poder votar, escolher os representantes da minha cidade, do meu estado e do meu país.  Sim, do meu país, porque desde que mudei para os Estados Unidos, 10 anos atrás, sempre considerei este país “meu”, assim como o Brasil.  Sempre me preocupei com a saúde política, econômica e social da terra onde moro, onde pago impostos, ondo escrevo os capítulos da minha vida.  Sempre me ofendi com ataques morais e físicos, sempre chorei e sofri as tragédias nacionais, sempre torci pelos esportistas e sempre me emocionei nas cerimônias patrióticas. Assim… subconscientemente, sempre fui candidata a cidadania verdadeira… aquela que vem do coração e da razão.

Então, no ínico deste ano, decidi colocar os pingos nos “is” e depois de um processo simples, mas demorado de 4 meses, chegou a hora de assumir o meu amor e respeito a esta pátria.  Hoje, recebi a carta de agendamento da minha entrevista e teste cívico.  Em menos de 1 mês, o meu coração deixará de ser somente brasileiro para ser, oficialmente, também, americano. Nas próximas eleições, o meu sonho de votar para presidente deste país, será realizado.  Em menos de 1 mês, o meu dia-a-dia e a minha aparência física não irão mudar, o meu sotaque não vai desaparecer, o modo como algumas pessoas olham para mim não irá se transformar, mas o país onde escrevo grande parte da minha história será, oficialmente, meu.

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Curiosidade: O dia em que o meu Greencard definitivo foi aprovado.

Update – 13 Agosto de 2011: Dia 4 de Agosto, durante a manhã, passei no teste cívico e no teste de inglês (o teste de inglês é tão patético que deveria ser abolido). No mesmo dia, a tarde,  jurei a bandeira e recebi meu certificado de cidadania. Segunda-feira passada, dia 8, enviei o pedido do meu passaporte e, pronto, a imigração americana nunca mais será uma pedrinha no meu sapato (porque pedra mesmo, nunca foi, ainda bem!). 😉

Uma livraria toda sua. :)

Há alguns anos atrás, quando os livros digitais começaram a ser populares, eu, assim como milhares de outros leitores apaixonados pelos tricôs das letras e palavras, não acreditava no sucesso de um produto tão frio: sem cheiro, sem textura, sem espessura, sem tamanho. Afinal, além do contéudo, os livros também encantam pelas suas histórias físicas, suas páginas amareladas ou novinhas,  peso,  cheiro… o livro que era da avó, a dedicatória da melhor amiga, a mancha da gotinha de café deixada por uma tarde fria de inverno; ou até mesmo, o cheiro de mofo acumulado pelo tempo.

Hoje, eu, assim como outros milhares de outros leitores apaixonados… (o resto vc sabe 😉 ), estou apaixonada por um gadget moderno, “simples” e prático. Depois de muito tempo e muita pesquisa, escolhi o Nook Color, da Barnes & Noble, uma rede americana de livrarias.

A idéia de ter todos os meus livros favoritos ao meu alcance, em qualquer lugar, em um segundo, todos ali: lindos e coloridos; venceu “uma” das minhas batalhas contra o amor ao papel e a história de cada livro. Pensei na praticidade, na rapidez (vc tem a sua coleção de livros e uma livraria em suas mãos, quando quiser!), no espaço, no peso e na companhia infalível; sucumbi a tecnologia, mais uma vez.

E o cheiro, o amarelo, a dedicatória e tudo mais; onde ficaram? No livros! Oras! Os digitais são práticos… os de papel são únicos e especiais. Os de papel ainda existem, eu ainda posso folheá-los, comprá-los, emprestá-los, amá-los! Ainda posso entrar em um livraria e passar horas viajando entre as prateleiras, posso entrar em um bibilioteca e passar horas fazendo cara e pose de intelectual, posso parar em um banca e comprar a revista do mês que saiu de manhã cedinho, mas posso também, ter todos os meus livros (os disponíveis, lançados na forma digital) dentro da bolsa, a qualquer hora, em qualquer lugar. Ou seja, eu posso SIM conviver com o tradicional e o moderno.

O Nook Color é quase um tablet, um computadorzinho de mão. O tamanho é perfeito, o peso é perfeito e a interface não está longe da perfeição. Quando você segura um NC, vc tem a sensação de estar segurando um livro. O peso e tamanho enganam o seu cérebro e vc tem a sensação de estar segurando um livro de papel. No começo você sente saudade de virar as páginas, depois você se acostuma com a praticidade de tocar na tela e te não ter que “lutar” contra a espessura de um livro grosso, por exemplo. Além disso, o que mais me encanta é ter um dicionário, literalmente, na ponta dos meus dedos, . Não sabe o significado de uma palavra? Você toca na palavra por dois segundinhos, um balãozinho aparece e te dá opções: consultar o dicionário local (q. já vem pré-instalado no aparelho) ou consultar a internet (Google ou Wikipedia – porque o sistema operacional é do Google)? Quer fazer uma anotação? Use o mesmo dedo (ou outro RS), os mesmos dois segundos e pronto… anota, marca, muda de cor., zoom in, zoom out. A letra está muito pequeninha… ué.. é só mudar! Não quer ler mais, trocar de livro, ler uma revista? Para, troca, lê; e depois, volta para o mesmo livro, na mesma página. Quer consultar um capítulo que já leu… toca a tela e escolhe o capítulo no index, tudo o que vc faria com um livro normal (e muito mais); a não ser derrubar o café, porque até “dobrar” as pontinhas vc, virtualmente, pode. 😉

Além disso, o NC também permite que você use a internet, divirta-se com joguinhos, ouça música, assista vídeos, veja fotos, edite textos de documentos pessoais, etc. Antes da última grande atualiação, vc podia usar internet e fazer tudo o que foi citado, mas os jogos eram limitados a dois ou três e não havia um aplicativo para edição de texto, entre outros. Agora, vc tem a opção de comprar outros joguinhos e outros aplicativos disponíveis na loja virtual da B&N, através do Nook Color. Não é um iPad (porque foi criado para os amantes dos livros), mas não fica muito atrás…

A tela brilha muito comparada com a do Kindle? Brilha… é uma tela linda, mas reflete a luz. E daí? Os protetores de tela, anti-brilho estão aí para serem usados. Eu uso protetores em meu NC e  netbook; a qualidade da imagem ainda é a mesma e, se eu quiser, tiro e volto a usar a tela com brilho, sem “machucar” o aparelho.

Enfim, meus braços estão abertos para o futuro… que venham os digitais, porque os de papel nunca morrerão.

(Clique na foto para ver a versão maior)

Algumas demonstrações do meu NC.  É claro que só coloquei o básico e não mostrei a minha “biblioteca”,  arquivos pessoais (fotos, documentos – txt, doc, pdf, etc.) e coleção de aplicativos; mas pelas fotos dá para ter um idéia do como é legal ter um Nook para leitura. 🙂

Informações técnicas? Ele é muito mais do que você imagina…Roda em um Android… o que é uma outra história, para um outro post. 😉

Ah sim… a bateria?  Dura dias e dias em standby e horas ativo (8 de acordo com as especificações do site, mas muito mais pela minha experiência); ou seja, você só não consegue ler por causa de bateria, se for o cúmulo da distração. 😉

Rio

Pause

2011 está voando, mas estes poucos meses, antes da volta do maridon da Coreia, estão passando mais devagar do que os 8 meses anteriores. Provavelmente, por causa do inverno e da ansiedade.

Todos os dias, os dias ficam mais compridos, anunciando o início da Primavera, mas também, a imortalidade da minha ansiedade. Para algumas pessoas, um ano não é muito tempo, para outras uma eternidade, para mim, este “um ano”, a “personificação” da expressão standby. É como se alguém estivesse assistindo o filme da minha vida e, de repente, apertasse o botão “PAUSE”… e aí a coisa complica, porque volto a reviver a mesma cena de sempre: eu parada na calçada, esperando para atravessar a rua; e os carros cheios de pessoas, vidas e histórias, passando, sem deixar um espaçinho minúsculo para eu atravessar.

Não estou reclamando. Quem sou eu para reclamar de alguma coisa? Mas o ser humano é um bicho complicado… e quando pensa demais, sai de baixo!

Eu penso demais… sempre pensei demais… e na tentativa de pensar “de menos”, fico perdida, meio que tentando encontrar a ponta do novelo de lã, todo embaraçado.

Estou assim… procurando a ponta do novelo de lã, tentando pensar “de menos” e ocupando o meu tempo com o “fútil”, na tentativa de passar a perna na horas, até que maridon volte para casa e, finalmente, aperte o botão “PLAY”.

Feliz Ano Velho!

2010 passou como um cometa, como eu queria. Outro dia, parei para pensar e percebi que o ano passado foi tão diferente para mim, que fiquei meio perdida no tempo. Quando maridon arrumou as malas e embarcou para a Coreia; parei de olhar no calendário e ignorei as horas. Os meses passaram, dezembro chegou, ele voltou para passar férias comigo e, em um piscar de olhos, as férias dele estão acabando e terei que encarar mais 4 meses de “solidão”.

O ano passado, para mim, começou em Maio… e do mesmo modo, o ano novo, só terá cara de novo, ar de novo e cheiro de novo, em Maio, quando ele voltar para ficar e tudo voltar ao normal.

Eu sei parece estranho para algumas pessoas; é estranho, mas para mim… é real, embora seja uma realidade bastante abstrata, no esforço de evitar o sofrimento.

Feliz 2011. Feliz Ano Velho.

Luzes de Natal :)

O Swan Lake-Iris Gardens fica a cerca de 5 minutos da minha casa. É lindo na Primavera e inesquecível no Natal. Este ano, maridon e eu resolvemos gravar um videozinho para mostrar aos amigos. Então…

Mais um para a turma…

O ano passado, a Mônica apareceu na porta da minha casa de repente. Veio a pé, lá do Brasil, para morar comigo.

Hoje, a campainha tocou e olha quem chegou…

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Saudades das coelhadas. 😉

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Tudo ao mesmo tempo… agora

Durante este tempo de silêncio, o Jardim ficou parado, mas a vida continuou (opa… e não deveria ter sido diferente). Neste meio tempo, parei de trabalhar (comentei sobre isto por aqui), meu marido foi morar na Coreia do Sul por um ano (também comentei sobre isto por aqui) e eu voltei a não fazer nada; e a fazer muitos planos…

Quero voltar a estudar, mas estou cheia de dúvidas e incertezas. Não sei se enfio a cara em uma carreira completamente nova, que sempre me interessou muito; ou se volto para a Educação, o que sempre me fez muito feliz, mas hoje, me assusta bastante. Felizmente, grana não é problema. Antes de deixar a Casa Branca, o ex-presidente George W. Bush assinou uma lei, que talvez tenha sido a única coisa boa que ele tenha feito enquanto presidente. Os militares ativos que possuem o benefício da “GI Bill” (educação paga pelo governo, para resumir o “romance”) podem transferir seus benefícios para a esposa (ou esposo) ou para os filhos. Enfim, maridon transferiu os benefícios dele para mim e tenho 3 anos de ensino superior garantidos. Já arrumei minha papelada toda e, agora, preciso somente escolher o que quero fazer e mergulhar nos livros… Entretanto, não sei se escolho uma nova carreira, em Psicologia ou, como já disse antes, volto para a Educação.

Além de escolher um segundo curso universitário, também quero ser mãe; e aí a coisa complica mais um pouquinho. Se eu voltar para a Educação, precisarei estudar bastante, mas estarei navegando em águas tranquilas e familiares; mas se escolher entender melhor o comportamento humano, terei que estudar muito… e este “muito” será muitíssimo. Então, paro para pensar e surgem as perguntas: será que eu consigo encarar um segundo curso universitário e uma gravidez ao mesmo tempo? E depois, quando o baby chegar? Ser estudante e ser mãe de primeira viagem ao mesmo tempo? Consigo? E “mais depois ainda”… consigo estudar, ser mãe e trabalhar ao mesmo tempo? Porque se o meu caminho for a “Terapia”, 3 anos de estudo não serão suficientes.

Só tenho certeza de uma coisa: “Penso, logo existo.”; além disso, não sei de nada… E neste pensar, o tempo passa e eu continuo não fazendo nada. Agora alguém me responde: quando é que deixei de ser prática e comecei a pensar demais? O problema não é o pensar, o problema é o relógio. O tempo que eu tento ignorar, mas corre pelas minha veias como sangue.

E aí…? O que eu faço? Compro uma bicicleta?

P.S: Eu estava lá! O primeiro de muitos shows na minha vida. 🙂

“OK, você venceu, batata frita”

Uma dúzia de aranhas disseram SIM, meia dúzia de amigos e leitores disseram NÃO, eu parei… pensei… pensei… pensei e decidi manter o blog aberto e voltar a escrever, devagar, devagarinho… Os motivos? Preciso de um hobby, preciso registrar o tempo, preciso exercitar o meu pensamento e discurso; e preciso, desesperadamente, praticar o meu Português. Eu sei, parece besteira e papinho de brasileiro metido a besta, morando no exterior, mas meu Português está mais pra lá do que pra cá. Não porquê eu use o Inglês muito mais do que o Português (até em pensamento), mas porquê tenho lido e escrito muito pouco no meu idioma materno (principalmente para uma “pessoa” que possue o título de “Bacharel em Letras” e um passado e história nas salas de aula). Os meus errinhos bobos estão me incomodando muito. E estes “brancos” de linguagem estão infestando a minha vida como pulgas, no Verão. Então, antes que os errinhos deixem de ser falta de vergonha na cara para serem ridículos e absurdos; eu digo que fico, escrevo, erro e reaprendo. A partir deste post, prometo ressuscitar a gramática da Língua Portuguesa e exercitar o boca-a-boca na minha velha amiga, quantas vezes forem precisas até que eu pare de gaguejar e deixe de usar o dicionário a cada 5 minutos.

Então, eu escrevo, tu escreves, ele escreve, nós escrevemos… 😉

Punto e basta

Depois de quase 8 anos, estou chegando a conclusão de que está na hora de encerrar este blog.  Não encerro de teimosia.  Não é que eu não tenha assunto; assunto é o que não falta.  A verdade é que não tenho tido vontade de escrever.  Culpa de quem?  Dos gênios que inventaram o Twitter e o Facebook.  Principalmente do cara que inventou o Twitter.  Atualmente, você não precisa de um blog para expressar qualquer sentimento e pensamento, muito menos para manter a família e amigos atualizados sobre o que está acontecendo com você.  No Twitter, tudo é imediato e sem muita enrolação. Tá com raiva? 140 caractéres. Cansada? 140.  Indignada? 140.  Foi a um show? 140.  Encontrou um amigo querido? 140.  Tudo pode ser comunicado, compartilhado e registrado em 140 caractéres.  E mais… 140 é pouco? Ué, é só usar mais 140 e pronto; todo mundo recebeu a informação inteira, na hora, “punto e basta”.

Em 2002, quando iniciei o Jardim, weblog era uma coisa “moderna”.  Ninguém precisava ficar editando “HTML” para publicar alguma coisa na internet (porque naquele tempo, os websites ainda eram 100% editados em HTML!).  Os blogs facilitaram as vidas das pessoas (ou devo dizer dos “geeks”?).  Todo mundo podia ter blog e website.  Era tudo super fácil. O negócio era ter um endereço no Blogger e usar a ferramenta como se usava o Hotmail (porque naquela época, o Gmail ainda não existia).

Em 2010, isso tudo é 100 vezes mais fácil.  Hoje em dia, você não precisa nem de um computador para se comunicar com o planeta.  Tem um celular com internet?  Pronto. Todo mundo já pode saber o que você está fazendo, onde está almoçando, o que está assistindo, que museu está visitando e quantas aspirinas você precisou tomar para “destruir”sua dor de cabeça.  Somos todos seguidores da filosofia Gillette: “A primeira faz tchan, a segunda faz tchun e tchan tchan tchan tchan!”.  Tudo rapidinho, sem complicação nenhuma, em qualquer lugar, a qualquer hora.

E o Facebook?  O Facebook é mais complexo,  cheio de coisinhas para quem ainda tem tempo para ficar jogando joguinhos com os amigos, editando álbuns de fotos, etc.  Para pessoas como eu, que gostam da atualização imediata; “escreveu, todo mundo leu”; mas ainda tem tempo para gastar com bobeirinhas tipo Farmville.

Então, é isso, em 2010, a internet é mais imediata do que em 2002, 2003, 2004, 2005, etc; e os blogueiros preguiçosos estão se transformando em twitteiros.  Por outro lado, os que gostam de falar e escrever já não precisam de blogs… o b se transformou em v, e atualmente, quem tinha blog, tem vlog.  Mas isto é um outro assunto… para um outro post, qualquer dia destes…