Archive for the ‘Wally World’ Category

Almost “Breaking News”

Monday, December 7th, 2009

A novela acabou.  Sexta-feira passada, depois de pensar e repensar, entreguei ao Wal-mart a minha two-weeks notice (aviso prévio de duas semanas).  Cansei.  Aprendi o que tinha que ter aprendido, chegou a hora de olhar para frente e para o futuro.  Durante muitos anos, tive medo de encarar o mercado de trabalho americano.  Encarei e não fiz feio.  Agora, quero voltar a estudar.  Fazer um segundo curso universitário e correr atrás de uma carreira que me faça intelectualmente feliz. A minha experiência no Wal-mart foi bastante interessante e produtiva.  Qualquer dia destes sento para contar todas as minhas aventuras no planeta Wally, mas quero ter tempo para processar tudo e colocar todos os pontos nos “is”, sem injustiça e influência do cansaço.

A semana passada, também recebi a notícia de que meu marido passará um ano na Coreia do Sul, o que nos pegou de surpresa.  Chorei, reclamei, mas parei para pensar…  se ele não tivesse recebido esta transferência para Coreia, seria enviado para o Afeganistão ou Iraque, por 4 meses,  junto com o esquadrão inteiro, em Maio do ano que vem.  Prefiro passar um ano longe do meu marido, tranquila; do que 4 meses com o coração na mão. Além do mais, a internet está aí para ser usada e abusada (e na Coreia, a velocidade de conexão disponível no mercado americano é coisa do passado… eles tem conexões super avançadas que colocam a banda-larga americana no chinelo, sem sombra de dúvidas).  Poderemos nos comunicar todos os dias.

Para completar as notícias.  A cerca de 3 semanas (mais ou menos) descobri que tenho pedras na vesícula. Começou com uma dorzinha aqui, outra dorzinha ali, uma azia acolá e tchanan!  Fui parar no pronto-socorro em uma sexta-feira e depois de algumas consultas, exames de sangue e um ultrassom (que foi essencial para descobrir o que estava acontecendo), descobri que sou uma mulher “empedrada”. RS  Ainda não marquei a cirurgia para retirar a vesícula, mas já tenho consulta marcada com o cirurgião.

Antes do ultrassom confirmar que eu tinha pedras na vesícula, fiquei super assustada.  Sempre fui super saudável (fora a alergia) e de repente, estas dores todas me deixaram com medo.  O meu médico conseguiu identificar o local das minhas dores em menos de 5 minutos, mas quando me perguntavam onde é que eu tinha dor, eu sempre respondia “everywhere”.  Agora, enquanto espero a minha consulta e cirurgia, estou bem… tomando dois remedinhos que me ajudam bastante e, o mais importante, em uma dieta super restrita.  Perdi 3 quilos em menos de 2 semanas.  Não posso comer: carne vermelha, frituras, tomate, cebola, alho, laranja (e tudo que é ácido demais), queijo, manteiga, margarina, maionese, molho de tomate, leite (e tudo o que tem leite), sucos de fruta, ovos, chocolate, café, etc; ou seja, estou vivendo a base de água, arroz e frango… RS  O que cuida do corpitcho e me mantém longe das dores da vesícula, mal-estar e náuses.

Enfim, em poucas semanas, muitas coisas aconteceram, mas no final das contas, estou bem e feliz.  Não a  nada como exergar o lado positivo das coisas… 😉

“Depois da tempestade…

Monday, September 21st, 2009

… sempre existe o arco-íris”; e algumas cores estão começando aparecer por aqui. 😉

Quase 5 meses depois… estou começando a entender melhor o ritmo de trabalho no Wally World. Deixei de querer apresentar a perfeição, para efetuar o possível e necessário. Aprendi a deixar os superiores falarem e baterem os pés. Eles gritam, eu ignoro e não me estresso. Eu sei… sempre idealizei o ambiente de trabalho perfeito e comparei a “perfeição” com a realidade (pensando melhor, comparei o que eu acredito ser “perfeição” com a realidade). A verdade é que na realidade, o buraco é mais embaixo. Não sei se agora exergo as coisas diferentes porque me sinto parte da “família” ou se parei de correr atrás do impossível. Uma coisa é verdade: todos somos peças de uma máquina muito maior do que imaginamos. Deixei de enxergar meus “superiores” como vilões. Os vilões mesmo, estão muito longe daqui. Entrei nesta loja em um momento muito complicado: mudança de store manager, reforma; uma bagunça. Juntos enfrentamos uma batalha e “de um certo modo” criamos laços de amizade e compreensão. Adquiri a confiança dos meus superiores e, hoje, trabalho confiante de que aconteça o que acontecer, estou fazendo o meu melhor e “os olhos superiores” tem certeza disto. Parei de me estressar e comecei a me divertir. Um conceito muito simples que eu deveria aplicar na minha vida em geral: “parar de me preocupar e viver”. A prefeição é impossível. A honestidade vive dentro de cada um de nós. Não posso exigir que todos sejam como eu e enfiar a cabeça em um buraco porque não vivo em um mundo melhor. O importante é viver, derrubar o muro e andar pra frente. 😉

P.S: Eu sei, estes meus discursos são chatérrimos… 😉

Metade vazio

Monday, July 13th, 2009

Depois de mais algumas semanas de trabalho, posso afirmar que o que faz qualquer trabalho no Walmart da minha cidade, cansativo e estressante não são as regras da empresa cheia de detalhes “espertinhos”, os consumidores mal informados (e, infelizmente, muitas vezes mal educados) e nem mesmo o dia-a-dia de correria; trabalhar no “Circo” é cansativo, porque apesar do nome e do tamanho da empresa,  o circo de cidade é sinônimo de desorganização.  Não é preciso fazer parte da equipe de gerência da loja para perceber que grande parte da correria do dia-a-dia é criada pela falta de organização e comunicação entre as pessoas.  Fulano diz X,  Sicrano diz A e Beltrano diz N.  Eu até entendo a idéia de que cada funcionário é responsável por sua função e, deste modo, deveria saber o que fazer, sem ser “guiado” ou “mandado” por ninguém, mas em uma loja como um supercenter, com cerca de 30 (ou mais) departamentos diferentes, este conceito de individualidade não funciona .  Parece “cheesy” mas aquele papo “um por todos e todos por um” deveria ser básico em qualquer negócio. Não?  Sim… mas na loja em que trabalho, isto não existe.  As reuniões acontecem, planos são traçados, problemas discutidos, idéias “implantadas”,  mas os resultados são sempre mínimos.  Por quê?  Porque no dia-a-dia, cada um faz o que quer, sem se importar com a empresa, mas sim com o seu “status” na rodinha,  a fofoca do dia, a hora do almoço, o horário de ir embora, o fim de semana; e assim por diante. Noventa por cento dos funcionários pensa pequeno, ouve quieto, engole seco, reclama aos 4 ventos e não faz nada.  Fulano quer as bolas vermelhas na frente,  Sicrano quer as bolas vermelhas atrás e Beltrano… Beltrano quer que as bolas todas saiam rolando e Fulamo e Sicrano tropecem e quebrem a perna.

Eu sei, sou chata… sou perfeccionista, metódica, politicamente correta (e por isso mesmo ridiculamente CHATA e implicante), mas ninguém come sorvete, se alguém deixar o pote fora do congelador, certo? No meu modo de ver a vida (e os negócios) não existe “mais ou menos”,  ou é mais ou é nada. Lavar metade de uma camiseta, não vai tirar o cheiro de suor e a sujeira da outra metade.

Por aqui o papo é sempre o mesmo… e as desculpas infinitas.  Ninguém faz nada certo.  Existe sempre uma sujeirinha embaixo do tapete; o que importa é o salário (miserável) no banco.  Ninguém está feliz com o emprego, mas ninguém faz nada para melhorar a situação.  Há alguns dias atrás, ouvi uma funcionária que trabalha nesta loja por 2 anos, dizer: “Você se preocupa muito com o que os outros (outros = gerentes) dizem.  Isso aqui é somente um trabalho (trabalho = ocupação sem valor).  Isso aqui não é o meu futuro.”; ou seja, amanhã, eu serei padre, e pregarei a palavra de Jesus, mas hoje eu posso roubar aquele pai de família e atirar naquele adolecente, porque isto aqui não é o meu futuro. (!!!)

Dá para entender?  Estou tentando…. Enquanto isso, estou aprendendo sobre o andamento da empresa; e tentando entender a cabeça dos funcionários e a bola de neve que nunca derrete, porque a neve é fake.

P.S:  Em alguns meses, se meus planos derem certo, irei deixar de tentar entender a cabeça pessoas, para estudá-las.  Um segundo curso universitário é a minha solução. 😉  Depois, conto mais.

O Maravilhoso Mundo de Wally – Parte 1

Wednesday, July 1st, 2009

Prometi escrever sobre meu trabalho há algumas semanas atrás. Entretanto, não escrevi ainda, porque tenho tanta coisa para contar, que nem sei por onde começar. Então, decidi “itemizar” tudo, escrever aos pouquinhos, para você me entender melhor; e eu me enrolar menos:

1. Trabalhar no Walmart não é tão fácil quanto parece ser (ou tão fácil quanto assumimos ser). Qualquer trabalho dentro de uma das lojas da rede americana, é pesado e corrido. É como uma peça de teatro que não acaba nunca. Cada um com sua função, correndo contra o tempo e os obstáculos. Receber produtos, estocar, colocar nas prateleiras da loja, conferir preços, remarcar preços, arrumar, limpar, recomeçar… A correria é contínua. Você “bate-cartão” e começa a fazer parte do show no primeiro segundo. É só sair pela portas do “backroom” e algum cliente já te pára para perguntar onde encontrar “pasta de dentes”. Sim, porque todo e qualquer cliente assume (e exige) que toda e qualquer pessoa que trabalhe na loja saiba onde encontrar todos os produtos possíveis e imagináveis. Por exemplo: eu trabalho no departamento de roupas (mais especificamente, no departamento de roupas masculinas); não é raro que algum cliente me pare e pergunte: Por favor, você sabe onde posso encontrar spray para matar baratas?”. Ah… Eu, do outro lado da loja, dobrando camisetas, remarcando preços de camisas, arrumando prateleiras de calças; tenho a obrigação de saber onde é que o senhor consumidor, sempre number one, encontrará spray para matar baratas? Não seria mais fácil perguntar para alguém que trabalha no departamento de produtos químicos? Ou produtos de limpeza? Ou, até mesmo, algum associado que esteja andando do outro lado da loja, que não seja de área de roupas e sapatos? Não! Eu pergunto para você, porque você tem um crachazinho… e aí, com o sorriso Colgate mais falso do mundo, eu respondo: “Sim, senhor. O senhor encontrará spray para matar baratas do outro lado da loja, na área de produtos de limpeza.”. E respondo porque  trabalho ali e sei cada detalhezinho da loja? Não. Respondo, porque além de associada do Walmart, nas horas vagas, sou consumidora e… em qualquer rede de supermercados, encontraria spray de matar baratas (tchanan!) na área de produtos de limpeza ou arredores…

Portanto, se você trabalhar no Walmart, não se assuste se algum consumidor perguntar para a associada que vende peixe, onde encontrar “Sempre Livre”. As perguntas começam no seu primeiro segundo de trabalho e terminam 5 ou 8 horas depois; quando você está com a sua bolsa, sem crachá, no estacionamento da loja.

UPDATE: ” Minha “observação” (pq nem chega a ser reclamação, estou lá p/ trabalhar, não?) é que algumas pessoas são meio que acomodadas mesmo.  Eu não fico com “birra” de ter que dar trocentas informações, afinal a principal razão pela qual resolvi aceitar este emprego foi justamente a oportunidade de interagir com as pessoas; eu só fico admirada de ver como algumas pessoas são acomodadas, querem tudo na mão e na hora, naquele segundo.  Felizmente, a maioria dos clientes é bem educada e agradece a sua “ajuda/trabalho”, mas há também aqueles que perguntam as coisas para você com uma entonação de voz e expressão corporal nada agradáveis.  Anyway, todo e qualquer trabalho tem os seus pós e contras.

— Observação retirada dos meus comentários em resposta ao comentário do Mauro Chatoviski *hehehe*(ambos podem ser lidos nos comentários do post); só para todos entenderem o meu ponto de vista direitinho, ok?