The Secret
Thursday, April 12th, 2007Colocar as cartas na mesa nunca foi fácil… Meu sumiço repentino não foi por acaso, não foi por preguiça, não foi por desgraça… (graças a Deus). Desde Janeiro, tenho lutado contra um dinossauro enorme que habita minha cabeça há muito tempo… Um dinossauro que sempre esteve sobre controle, mas de repente, resolveu tomar vitaminas, bater os pés e dominar a minha vida. Um dinossauro chamado “depressão”…
Durante anos, tentei explicar esse sentimento sem-sentido e “cheio de razão” que sempre habitou os meus pensamentos e o meu coração, mas nunca encontrei explicação alguma para a nuvenzinha escura que insistia em me acompanhar… Ignorei, passei por cima, coloquei em uma caixa de sapatos embaixo da cama, mas meu esforço foi em vão. Um dia, a danada da depressão me puxou pelos cabelos, me deu uma rasteira e me derrubou… Um acontecimento banal e normal virou a minha vida de ponta cabeça. Eu me senti sozinha, sem forças, indefesa e fracassada. Chorei por horas e dias… não conseguia comer nada, passei noites em claro, horas no telefone, tardes no pronto socorro… O meu coração parecia que queria desistir… o meu corpo sentia a dor emocional e psicológica da maneira mais física e assustadora possível. Diagnóstico = Depressão + Crise de Ansiedade + Síndrome do Pânico.
Eu… do meu topo imaginário, caí… chorei, pedi ajuda. Hoje? Estou completando quase dois meses de terapia e acompanhamento médico. Voltei a sorrir e a gostar de mim. Voltei a abrir a porta e a parar de chorar por tudo… e por nada. Estou me reencontrando, firmando o pé no chão, respirando… Meu mundo parou de girar, as flores começaram a abrir; e eu voltei a ver e sentir o amor das pessoas que me rodeiam e que me amam.
Eu estava bem… vivendo, lutando, amando, crescendo; aí… de repente, da noite para o dia (literalmente) tropecei no rabo do dinossauro e não consegui levantar, sem antes abaixar a cabeça e pedir ajuda.
Por que? Por tudo… pelo mundo violento em que vivemos, pela guerra, pelo medo, pela falta de liberdade verdadeira, pela natureza, pela distância, pela saudade… Assim como uma parede, um muro, em que cada tijolo representa uma dor, um sentimento… um muro que foi crescendo e, um dia, me isolou da vida.
A cura? Amor… dos pais, do marido, dos amigos.
Minha missão, agora, é derrubar este muro… tijolo por tijolo, para que eu consiga, novamente, rever o pôr-do-sol.