O Maravilhoso Mundo de Wally – Parte 1

Prometi escrever sobre meu trabalho há algumas semanas atrás. Entretanto, não escrevi ainda, porque tenho tanta coisa para contar, que nem sei por onde começar. Então, decidi “itemizar” tudo, escrever aos pouquinhos, para você me entender melhor; e eu me enrolar menos:

1. Trabalhar no Walmart não é tão fácil quanto parece ser (ou tão fácil quanto assumimos ser). Qualquer trabalho dentro de uma das lojas da rede americana, é pesado e corrido. É como uma peça de teatro que não acaba nunca. Cada um com sua função, correndo contra o tempo e os obstáculos. Receber produtos, estocar, colocar nas prateleiras da loja, conferir preços, remarcar preços, arrumar, limpar, recomeçar… A correria é contínua. Você “bate-cartão” e começa a fazer parte do show no primeiro segundo. É só sair pela portas do “backroom” e algum cliente já te pára para perguntar onde encontrar “pasta de dentes”. Sim, porque todo e qualquer cliente assume (e exige) que toda e qualquer pessoa que trabalhe na loja saiba onde encontrar todos os produtos possíveis e imagináveis. Por exemplo: eu trabalho no departamento de roupas (mais especificamente, no departamento de roupas masculinas); não é raro que algum cliente me pare e pergunte: Por favor, você sabe onde posso encontrar spray para matar baratas?”. Ah… Eu, do outro lado da loja, dobrando camisetas, remarcando preços de camisas, arrumando prateleiras de calças; tenho a obrigação de saber onde é que o senhor consumidor, sempre number one, encontrará spray para matar baratas? Não seria mais fácil perguntar para alguém que trabalha no departamento de produtos químicos? Ou produtos de limpeza? Ou, até mesmo, algum associado que esteja andando do outro lado da loja, que não seja de área de roupas e sapatos? Não! Eu pergunto para você, porque você tem um crachazinho… e aí, com o sorriso Colgate mais falso do mundo, eu respondo: “Sim, senhor. O senhor encontrará spray para matar baratas do outro lado da loja, na área de produtos de limpeza.”. E respondo porque  trabalho ali e sei cada detalhezinho da loja? Não. Respondo, porque além de associada do Walmart, nas horas vagas, sou consumidora e… em qualquer rede de supermercados, encontraria spray de matar baratas (tchanan!) na área de produtos de limpeza ou arredores…

Portanto, se você trabalhar no Walmart, não se assuste se algum consumidor perguntar para a associada que vende peixe, onde encontrar “Sempre Livre”. As perguntas começam no seu primeiro segundo de trabalho e terminam 5 ou 8 horas depois; quando você está com a sua bolsa, sem crachá, no estacionamento da loja.

UPDATE: ” Minha “observação” (pq nem chega a ser reclamação, estou lá p/ trabalhar, não?) é que algumas pessoas são meio que acomodadas mesmo.  Eu não fico com “birra” de ter que dar trocentas informações, afinal a principal razão pela qual resolvi aceitar este emprego foi justamente a oportunidade de interagir com as pessoas; eu só fico admirada de ver como algumas pessoas são acomodadas, querem tudo na mão e na hora, naquele segundo.  Felizmente, a maioria dos clientes é bem educada e agradece a sua “ajuda/trabalho”, mas há também aqueles que perguntam as coisas para você com uma entonação de voz e expressão corporal nada agradáveis.  Anyway, todo e qualquer trabalho tem os seus pós e contras.

— Observação retirada dos meus comentários em resposta ao comentário do Mauro Chatoviski *hehehe*(ambos podem ser lidos nos comentários do post); só para todos entenderem o meu ponto de vista direitinho, ok?

5 Responses to “O Maravilhoso Mundo de Wally – Parte 1”

  1. Mauro Says:

    “todo e qualquer cliente assume (e exige) que toda e qualquer pessoa que trabalhe na loja saiba onde encontrar todos os produtos possíveis e imagináveis”

    Poxa Be, aí eu já acho que você está muito irritada com os clientes e está sendo injusta.

    Pense bem, para quem mais eles iriam perguntar? Você trabalha na loja, é mais ou menos de se esperar que você conheça o layout do lugar onde trabalha. Eles também podem estar perguntando para você porque não conseguiram achar onde está a sessão correta e não queriam ficar correndo pela loja que nem baratas tontas procurando.

    Muitas vezes eu já andei por lojas procurando coisas, não consegui encontrar em lugar nenhum e tive que sair caçando funcionário para me ajudar. E se não tem nenhum ali na seção, eu vou em outra seção procurar, o que mais posso fazer? A idéia é que se você trabalha na loja, mesmo que não saiba onde está um determinado produto, pelo menos sabe quem trabalha na seção adequada e pode chamar pelo radinho. Não é?

  2. Be Says:

    Não ;P

    É claro que você pode (e deve) perguntar a uma pessoa que trabalha na loja, onde encontrar um certo produto. O problema não é direcionar o cliente até o departamento correto. O problema é direcionar o cliente para um departamento que fica trocentos departamentos depois do seu. Eu não tenho problema nenhum em ajudar os clientes, muito pelo contrário, para mim, a melhor coisa do meu trabalho é ajudar o cliente. Se preciso for, saio de men’s wear e vou até a farmácia ajudar alguém a encontrar meias para compressão.

    Talvez, eu tenha usado exemplos muito “gerais” no post, mas há clientes que param em men’s wear, para perguntar onde é que irão encontrar pepperoni da marca “x”. E então? Eu tenho que saber onde fica o pepperoni da marca “x”? Posso redirecioná-lo ao lado da loja que vende produtos alimentícios, mas não posso dizer “senhor, o pepperoni da marca x fica no corretor 14” pq não trabalho em produtos alimentícios.

    Se eu estiver passando pelo corretor de cereais e alguém me perguntar onde encontrar sucrilhos, tenho a obrigação de encontrar o produto ou localizar algum associado que o encontre. Agora, pense comigo, você acha normal, alguém perguntar para você onde encontrar sucrilhos, quando você está no departamento de roupas, dobrando camisetas; e entre você e o sucrilhos exista: o departamento inteiro de roupas masculinas, roupas femininas e lingerie? Não seria mais fácil (e racional) procurar por um associado na área de produtos alimentícios. É como entrar em um shopping e perguntar a um funcionário da Barnes and Noble, onde encontrar um sutiã branco, tamanho 36DD? É a mesma situação. A única diferença é que entre a Barnes & Noble e a Victoria Secret’s existe 2/3/5 lojas; e entre eu e o pepperoni 2/3/5 departamentos tão grandes quanto as tais lojas do shopping. Entendeu?

    Há clientes que entendem e apreciam o seu trabalho e boa vontade em levá-los até um departamento que não é o seu. Faço isso trocentas vezes por dia e explico que embora eu não seja daquele departamento e não saiba onde o produto está, procurarei pelo produto. Entretanto, infelizmente, há clientes que batem o pé e falam um monte, quando você não encontra o produto e pede 5 minutos para poder localizar a pessoa que trabalha naquela área. Parece raro, mas não é.

  3. Vanessa Says:

    M R wrote:
    Mas o cliente tem sempre razão! E pronto! 😉

    Falta de educação por parte do cliente é foda mesmo, mas eu não entendi que era disso que você estava reclamando. 🙂

    __________________________

    E eu não sei? Os 3 princípios básicos da empresa são:

    – Respect for the individual.
    – Service to our customers.
    – Strive for excellence.

    Minha “observação” (pq nem chega a ser reclamação, estou lá p/ trabalhar, não?) é que algumas pessoas são meio que acomodadas mesmo. Eu não fico com “birra” de ter que dar trocentas informações, afinal a principal razão pela qual resolvi aceitar este emprego foi justamente a oportunidade de interagir com as pessoas; eu só fico admirada de ver como algumas pessoas são acomodadas, querem tudo na mão e na hora, naquele segundo. Felizmente, a maioria dos clientes é bem educada e agradece a sua “ajuda/trabalho”, mas há também aqueles que perguntam as coisas para você com uma entonação de voz e expressão corporal nada agradáveis. Anyway, todo e qualquer trabalho tem os seus pós e contras. 😉

  4. leticia Says:

    eu entendo, não é todo mundo, mas tem um povo sem noção sim!
    lá na feira teve uma mulher que literalmente me intimou a explicar o que era scrapbooking. não que eu me encomode, tava lá pra isso, mas a postura da fofa foi de matar…
    educação (dos dois lados do bolcão) é seeeeempre bom, faz favor!

  5. Mito Says:

    Caraca….eu sou viciado no walmart…rs
    Acho que nunca pergunto onde estao as coisas, porque praticamente sei onde fica tudo!!…rs
    vivemos no walmart…

    beijos e saudades!