Metade vazio

Depois de mais algumas semanas de trabalho, posso afirmar que o que faz qualquer trabalho no Walmart da minha cidade, cansativo e estressante não são as regras da empresa cheia de detalhes “espertinhos”, os consumidores mal informados (e, infelizmente, muitas vezes mal educados) e nem mesmo o dia-a-dia de correria; trabalhar no “Circo” é cansativo, porque apesar do nome e do tamanho da empresa,  o circo de cidade é sinônimo de desorganização.  Não é preciso fazer parte da equipe de gerência da loja para perceber que grande parte da correria do dia-a-dia é criada pela falta de organização e comunicação entre as pessoas.  Fulano diz X,  Sicrano diz A e Beltrano diz N.  Eu até entendo a idéia de que cada funcionário é responsável por sua função e, deste modo, deveria saber o que fazer, sem ser “guiado” ou “mandado” por ninguém, mas em uma loja como um supercenter, com cerca de 30 (ou mais) departamentos diferentes, este conceito de individualidade não funciona .  Parece “cheesy” mas aquele papo “um por todos e todos por um” deveria ser básico em qualquer negócio. Não?  Sim… mas na loja em que trabalho, isto não existe.  As reuniões acontecem, planos são traçados, problemas discutidos, idéias “implantadas”,  mas os resultados são sempre mínimos.  Por quê?  Porque no dia-a-dia, cada um faz o que quer, sem se importar com a empresa, mas sim com o seu “status” na rodinha,  a fofoca do dia, a hora do almoço, o horário de ir embora, o fim de semana; e assim por diante. Noventa por cento dos funcionários pensa pequeno, ouve quieto, engole seco, reclama aos 4 ventos e não faz nada.  Fulano quer as bolas vermelhas na frente,  Sicrano quer as bolas vermelhas atrás e Beltrano… Beltrano quer que as bolas todas saiam rolando e Fulamo e Sicrano tropecem e quebrem a perna.

Eu sei, sou chata… sou perfeccionista, metódica, politicamente correta (e por isso mesmo ridiculamente CHATA e implicante), mas ninguém come sorvete, se alguém deixar o pote fora do congelador, certo? No meu modo de ver a vida (e os negócios) não existe “mais ou menos”,  ou é mais ou é nada. Lavar metade de uma camiseta, não vai tirar o cheiro de suor e a sujeira da outra metade.

Por aqui o papo é sempre o mesmo… e as desculpas infinitas.  Ninguém faz nada certo.  Existe sempre uma sujeirinha embaixo do tapete; o que importa é o salário (miserável) no banco.  Ninguém está feliz com o emprego, mas ninguém faz nada para melhorar a situação.  Há alguns dias atrás, ouvi uma funcionária que trabalha nesta loja por 2 anos, dizer: “Você se preocupa muito com o que os outros (outros = gerentes) dizem.  Isso aqui é somente um trabalho (trabalho = ocupação sem valor).  Isso aqui não é o meu futuro.”; ou seja, amanhã, eu serei padre, e pregarei a palavra de Jesus, mas hoje eu posso roubar aquele pai de família e atirar naquele adolecente, porque isto aqui não é o meu futuro. (!!!)

Dá para entender?  Estou tentando…. Enquanto isso, estou aprendendo sobre o andamento da empresa; e tentando entender a cabeça dos funcionários e a bola de neve que nunca derrete, porque a neve é fake.

P.S:  Em alguns meses, se meus planos derem certo, irei deixar de tentar entender a cabeça pessoas, para estudá-las.  Um segundo curso universitário é a minha solução. 😉  Depois, conto mais.

3 Responses to “Metade vazio”

  1. Mauro Says:

    Pior é que toda essa seriedade e professionalismo provavelmente vão atrapalhar você… não vai ser promovida nunca! 🙂

  2. Be Says:

    E eu quero? Deus me livre… Quero passar longe daquele lugar na primaira oportunidade. RS

  3. leticia Says:

    comigo tb nao rola esse negocio de é só um trabalho, pra mim qualquer trabalho é digno de ser levado a sério, não importa se eu estiver lavando banheiro ou gerenciando milhões.
    agora tem lugares que não tem jeito mesmo, parece que o modo de pensar dos funcionarios está tão “contaminado” que não adianta um só querer mudar…