A conta, por favor?

Engraçado… a cada ano que passa, fico mais P da vida em ver como as pessoas julgam outras sem antes realmente conhecê-las. Outro dia, um dos meus bloggers favoritos (bastante famoso) saiu do Brasil e visitou os Estados Unidos, por alguns dias… No final da viagem, escreveu um post enorme metendo a boca nos Americanos e, tentando, através das situações que viveu por aqui, justificar o porquê da atitude de superioridade dos mesmos…

Bom, não posso mentir, minha irritação foi tanta, que lutei contra os meus dedos para não comentar nada a favor dos “metidos” Norte-Americanos (como alguns Brasileiros teimam em ressaltar). Não comentei, porque depois de 7 anos de Estados Unidos, aprendi que não adianta bulhufas querer apontar as qualidades e realidade dos Americanos; principalmente, porque a maioria dos Brasileiros já tem uma opinião pré-“fabricada” dos mesmos… e quando “críticos” da cultura americana, tornam-se cegos e surdos.

Entretanto, algumas semanas atrás, um fato comum e diário da cultura americana me fez repensar a “metidez” dos meus vizinhos de país. Maridon e eu fomos almoçar com um casal de amigos em um restaurante da rede Chili’s. Pois bem… conversa vai, conversa vem, o restaurante estava lotado, e minha fome estava aumentando. Depois de alguns minutinhos, minha fome e impaciência eram tantas que comecei a acompanhar todos os garçons e garçonetes com os olhos. De repente, uma garçonete me chamou atenção… eu tive a impressão de que já a conhecia de algum lugar… parei, pensei e perguntei ao maridon: “Essa moça não é a gerente do banco da agência da base?”. Maridon não prestou atenção na moça, mas o marido da minha amiga respondeu: “Sim, é ela sim.“; e pronto… a conversa terminou por aí, porque aqui trabalho é trabalho…

Agora… pense bem… no Brasil, uma gerente geral de um banco (abre contas, faz empréstimos e aplicações… é importante na pirâmide da empresa) teria um segundo trabalho como garçonete em um restaurante popular?

E então… Nem preciso continuar, preciso? 😉

P.S: É não me venha dizer que o tal blogger estava se referindo aos Americanos X O Resto do mundo… porque essa “argumentação” é mais batida do que limão em caipirinha. RS Ah… e é claro, nem preciso ressaltar que ao citar os “Americanos”, refiro-me a população americana; e não à meia dúzia de imbecis ignorantes que encontramos em qualquer parte do planeta (nascidos em qualquer país).

6 Responses to “A conta, por favor?”

  1. Tom Says:

    Infelizmente muitos estrangeiros pensam que a vida e o povo dos States estão como apresentados no cinema. Somos ricos, pobres, gangsters, mafiosos, cheios de vontade, etc. E, ao contrario, os Americanos pensam que no brasil so tem gente de praia e a vida boa, todos torcedores do Flamengo.

    Aquela moça do banco deve estar juntando dinheiro para comprar uma casa. Ou, talvez ela já comprou “aquele televisor HD” para o namorado e ela ‘ta pagando em prestações.

    Temos muitos aqui com dois ou até tres empregos. Quem comprou uma casa, um barco ou condominio na praia estão em apuros hoje devido aos aumentos de juros e o custo alto do seguro mandatorio nos bens.

  2. Be Says:

    Que nada… ela já trabalha no restaurante há muito tempo… é casada, com duas filhas moçinhas… o marido é militar. Trabalha, porque precisa aumentar o income, é fácil de se deduzir, do contrário estaria em casa.

    O que eu quis dizer é que aqui qualquer trabalho é trabalho… no Brasil, uma pessoa com um certo nível de escolaridade, com um carro do ano, uma casa boa; nunca trabalharia como garçonete (nem para pagar as contas, se estivesse em apuros… a pessoa perde o carro para o banco, mas não aceita um trabalho “simples”).

    Este tipo de atitude do Americano não é visto pelo Brasileiro que passa 1 semana aqui… ou assiste o Jornal Nacional. O Brasileiro abre a boca para falar que o Americano é metido, mas é cheio das frescuras e preconceitos. Na cultura brasileira, principalmente nas cidades grandes, quem trabalha servindo comida para os outros é “pião”. Aqui, o buraco é mais embaixo… se você precisa pagar as suas contas, trabalha onde encontrar trabalho… e ninguém olha torto pra você. Paga a suas contas é pronto. Já na nossa terrinha, neguinho dá cheque sem fundos e calote, mas não arruma um “emprego inferior”.

    Sem contar que para o Brasileiro, quem tem 2/3 trabalhos nos Estados Unidos é o imigrante. Sim, o imigrante tem 2/3 empregos, mas o Americano também. Conheço uma dezena de homens militares, colegas de trabalho do meu marido, que tem 2 empregos… estão uniformizados durante e semana, mas trabalham em oficina mecânica, loja de sapatos, loja de ferramentas; durante o fim de semana. O Brasileiro já acha que quem tem “emprego inferior” nos EUA é imigrante… quantas vezes eu ouvi familiares e amigos meus dizerem: “Nos Estados Unidos, Brasileiro só arruma emprego de faxineira ou no McDonalds. Imagina se o Americano quer trabalhar em empregos como estes?”. Grande engano… tem imigrante e tem Americano tb. Ou seja, esse “ar de superioridade” dos Americanos só existe na imagem criada pelos Brasileiros.

    Nos EUA tem neguinho que se acha a estrela da árvore de Natal? Tem; mas o restante são bolinhas… de vidro, de porcelana, de fio de seda, de plástico… mas bolinhas. 😉

  3. leticia Says:

    Be, sabe que voltei da Florida pensando nisso? Poxa, vivo escutando que americano é isso, é aquilo, mas todas as vezes (4) que pisei um solo americano fui bem recebida, bem tratada e não tenho uma virgula de mal pra falar de nada e de niguém. De verdade. Não compactuo mais com esse tipo de pre-conceito não, viu?

  4. Anathalia Says:

    Ola Vanessa! Cheguei aqui pelo blog da Leticia e tenho que concordar com voce. Essa visao que os brasileiros tem dos americanos esta mais do que ultrapassada, ne? Mas sabe, eu acho que o que acontece eh que a maioria dos brasileiros vem aos EUA e visita somente cidades turisticas. Dai essa visao de que sao todos mal educados. Porque, por exemplo, em NY, eu acho mesmo o pessoal (claro, nao todas as pessoas e tambem, claro, ja fui muito bem tratada por la) um pouco mal educado e, as vezes, ate grosseiros. Mas eh so atravessar o Hudson e aqui em NJ eh todo mundo tao simpatico e gentill que chega a incomodar! rs Sempre tive na minha cabeca que os europeus eram mais educados e tal. Mas em uma viagem recente a Europa, fiquei horrorizada ao perceber que estou super mal acostumada com a cordialidade americana. Aqui todo mundo pede linceca, fala obrigada, segura a porta , da passagem no transito, para para os pedestres e coisas do tipo. Nada disso acontece no Brasil. Brasileiro gosta mesmo de pensar que eh o melhor povo que existe na face da Terra… uma pena, nao veem o quanto ainda tem a melhorar.

  5. Be Says:

    Pois é… a maioria dos americanos é cordial mesmo… é claro que tem sempre um goiaba no meio, mas dificilmente encontramos alguém mal educado. O problema é que o brasileiro já chega aqui com trocentas pedras na mão. Se alguma coisa soar diferente, já é motivo para meter a boca. Já chega analisando… Tenho até impressão de que já se coloca em uma posição inferior. Sei lá… Reclamam que os oficiais da imigração são frios, mas caramba… eles tem que se, é a profissão deles, certo? Sei lá, brasileiro confunde profissionalismo com superioridade. No Brasil, a maioria das pessoas é “falante” e tal… aí chega aqui e pega um daqueles sérios, super profissionais; e acha que o carinha está ignorando… Eu já cansei de tentar explicar. Fazer o que, né?

    Ah.. e bem vinda ao Jardim! 🙂

  6. Liesl, no trampo Says:

    Amei o post, estava querendo escrever algo assim faz tempo. Ah, vc poderia me mandar o endereco do tal post do blog original? Nao creio que eu tenha lido… Eu tenho mais umas coisinhas a acrescentar ao que vc escreveu, mas depois eu te mando por email. Bjao!